Carta pastoral de Julho
Eu nunca te esquecerei (Is 49,15)
Papa Leão XIV inicia a mensagem para o Dia dos Avós e dos Idosos com a forte citação do Profeta Isaías – “Eu nunca te esquecerei” -, e deseja que cada um possa contemplar estas palavras e acolhê-las como dirigidas a si mesmo.
Estas palavras, conforme destaca o Santo Padre, “enchem de consolação e confiança. São a resposta a um sentimento angustiante que agita o coração: ‘O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim» (Is 49,14). ….A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas…. O amor de Deus, que, pelo contrário, não esquece ninguém, oferece-se como um ato de justiça e uma resposta ao anonimato, no qual, com demasiada frequência, a vida humana acaba por perder-se”.
A celebração do Dia Mundial dos Avós e do Idosos é, para todos nós, convite a pensar nosso modo de tratar os idosos, reflexão sobre os ambientes eclesiais em favor dos idosos e convite aos idosos a aprender a viver em meio as fragilidades que são próprias da idade.
Quanto ao modo de tratar os idosos, na Mensagem o Papa sugere: “Que este Dia seja, portanto, um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita. Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a proximidade e o carinho do Papa”.
E acrescenta: “Fazei com que as palavras do profeta “Eu nunca te esquecerei” assumam a forma de um encontro terno e afetuoso. «Numa época que tende a acelerar e a fragmentar, a carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas”. Belo convite.
Já em relação aos ambientes eclesiais, destaco em especial a necessidade de que cada Comunidade Paroquial organize e assuma como meta, neste ano, organizar a Pastoral da Pessoa Idosa, com espaço adequado para encontros, celebrações e convivência fraterna entre os idosos.
A vida comunitária é fundamental, também porque “Cada vez mais, na realidade, ao contrário do que acontecia no passado, é possível chegar à velhice sem ter tido uma verdadeira experiência de fé. Neste caso, a idade avançada, a partir das questões que nesta fase da vida se colocam com maior premência, pode tornar-se o momento oportuno para iniciar ou retomar a vida espiritual” (Papa Leão XIV).
Em relação as fragilidades, o Santo Padre afirma que se faz necessário descobrir que todos precisamos, sempre, uns dos outros e somos mendigos de atenção e cuidado: “não tenhais medo da fragilidade! É justamente esta fraqueza que esconde em si uma nova potencialidade que ilumina também as outras idades da vida. Efetivamente, quando é aceite e reconhecida, a fragilidade «abre o coração ao apoio mútuo e à invocação d’Aquele que pode dar o que nenhum poder humano é capaz de garantir: a reconciliação profunda dos corações e, com ela, a verdadeira paz”.
Com esta compreensão surge a consciência de não sentir vergonha da fragilidade, por exemplo: de andar com um andador, de precisar de ajuda para entrar num carro, de apoio dos filhos para realizar as coisas básicas da vida, que antes se fazia com tanta facilidade.
Assim, celebrar o Dia dos Avós e dos Idosos é renovar o compromisso de oferecer presença, ternura e atenção àqueles que tanto contribuíram com sua história, sua fé e caminhada na família. Ao mesmo tempo, é acolher a fragilidade como parte da vida e como oportunidade de crescer na confiança em Deus e no apoio mútuo. Que nossas comunidades sejam sempre lugares onde cada pessoa idosa possa sentir, de modo concreto, a promessa do Senhor: “Eu nunca te esquecerei”.
Dom Sergio de Deus Borges
