Mensagem Pastoral de abril

Mensagem Pastoral de abril

Páscoa: refúgio do coração inquieto!

Recentemente li uma catequese do Papa Leão XIV que reflete sobre a ressurreição de Cristo e os desafios do tempo atual, e traz como subtítulo: A Páscoa como refúgio do coração inquieto.

O Papa inicia a reflexão no contexto em que estamos inseridos: fazer, fazer, correr, busca de resultados ótimos nos âmbitos mais diversificados da vida. Enfrentamos problemas quase diariamente e as crianças às vezes não tem tempo para brincar. Isto tudo nos preenche? Nos realiza?

Na reflexão do Papa a resposta não é alentadora: “muitas vezes compreendemos que fazer demasiado, em vez de nos dar plenitude, torna-se um turbilhão que nos atordoa, que nos priva da serenidade, que nos impede de viver da melhor forma o que é realmente importante para a nossa vida. Então, sentimo-nos cansados, insatisfeitos: o tempo parece dispersar-se em mil coisas práticas que, contudo, não resolvem o derradeiro significado da nossa existência. Às vezes, no final de dias cheios de atividades, sentimo-nos vazios. Porquê? Porque não somos máquinas, temos um “coração”, ou melhor, podemos dizer que somos um coração” (Leão XIV. 17.12.25).

Jesus também se ocupou com as pessoas, trabalhou muito, mas conseguiu realizar pausas restauradoras de diálogo com o Pai, de convivência com seus discípulos, de descanso. Compreendeu tanto esta necessidade que disse, certa vez: todas vós que estais cansados vinde a Mim que Eu vos darei descanso.

Mas você pode perguntar: está bem, Jesus fez isto, mas hoje, De que modo a ressurreição de Jesus pode iluminar este traço da nossa experiência? O Papa ensina que tem tudo a ver, é “importante refletir sobre estes aspetos, pois nos inúmeros compromissos que enfrentamos continuamente sobressai cada vez mais o risco da dispersão, por vezes do desespero, da falta de sentido, até em pessoas aparentemente bem-sucedidas”.

Não somos máquinas, precisamos parar. Quando paramos e olhamos um pouco a dinâmica das coisas, percebemos que até as máquinas precisam parar para manutenção. E nós, vamos continuar no desespero, pensando que não precisamos dar atenção ao coração, que não precisamos parar e voltar ao essencial, ao que dá sentido a tudo o que fazemos? Nos preocupamos tanto com o corpo, cheios de maquiagem que nos iludem, porém, pouca atenção ao coração.

Há, eu cuido do coração! Vou todos os anos ao cardiologista. Ótimo, mas o Papa está falando de outra dimensão e outro cuidado, quando fala em coração: “o coração é o símbolo de toda a nossa humanidade, síntese de pensamentos, sentimentos e desejos, o centro invisível da nossa pessoa. O evangelista Mateus convida-nos a refletir sobre a importância do coração, citando esta maravilhosa frase de Jesus: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21)”.

Vamos aproveitar esta Semana Santa, a Páscoa, e realizar uma grande parada e dar atenção ao convite do Papa: “ler a vida sob o sinal da Páscoa, olhar para ela com Jesus Ressuscitado, significa encontrar o acesso à essência da pessoa humana, ao nosso coração: cor inquietum. O coração inquieto não ficará desiludido, se entrar no dinamismo do amor para o qual é criado. O destino é certo, a vida venceu e, em Cristo, continuará a vencer em cada morte do dia a dia. Eis a esperança cristã: bendigamos e demos graças sempre ao Senhor que no-la concedeu!” (Leão XIV. 17.12.25).

Abençoada Páscoa.

Dom Sergio de Deus Borges