TEMA 1: O PLANO DE SALVAÇÃO PARA TODO O HOMEM

1 INTRODUÇÃO

A Doutrina Social da Igreja já na sua introdução faz questão de lembrar que somente no nome de Jesus Cristo a salvação é dada ao homem, a salvação, que o Senhor Jesus conquistou por um “alto preço”. A salvação se realiza na vida nova agora, e, sobretudo na recompensa que aguardam os justos após a morte, contudo, abrange também este mundo. Não basta fazer uma experiência de Deus através do Batismo no Espírito Santo, e parar, esperando o ultimo dia de vida. Jesus veio trazer a salvação integral, que abrange o homem como um todo e todos os homens, abrindo-lhes os horizontes admiráveis da filiação divina.

1.1 Deus é Amor

Desde que a Renovação Carismática Católica começou, milhares de pessoas fizeram a experiência de Deus. São muitas as pessoas que testemunham que experimentaram o seu amor como nunca antes havia acontecido. Foi um toque especial de Deus, que mudou suas vidas radicalmente. A Bíblia Sagrada confirma essa predileção por seus filhos. (Cf. Is 43, 1. 4) ”É agora diz o Senhor, aquele que te criou Jacó, aquele que te modelou, Israel: não tenhas medo que foi eu quem te resgatou, chamei-te pelo próprio nome, tu és meu!. Pois és precioso para mim, e mesmo que seja alto o teu preço, é a ti que eu quero! Para te comprar, eu dou, seja quem for; entrego nações para te conquistar!” O povo de Israel é retratado como o povo da aliança. O texto exprime o amor de Deus pelo povo escolhido de Israel, mas ao mesmo tempo ele é muito claro, quando fala de maneira direta a cada um, te resgatei, chamei-te, tu és meu, és precioso para mim, Deus dirige a cada um pessoalmente o seu olhar de misericórdia.

(Cf. Is 49, 5-16) o profeta faz uma comparação que todos entendem “acaso um mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu jamais esquecerei! Vê que escrevi teu nome na palma de minha mão” (…..) Nesse texto Deus desafia a cada um, mesmo que a mãe esquecesse eu não esquecerei, expressa o carinho de Deus por seus filhos escrevi o teu nome na palma de minha mão, Deus como pai amoroso quer ficar olhando o nome do seu filho. Olhe também o (Cf. Sl 102 ou 103, 13) “como um pai se compadece dos filhos, o Senhor, se compadece dos que o temem.” É Deus se revelando com um pai compassivo. No novo testamento (Cf. I Jo 4, 8.10) se revela a grandeza do amor infinito do Deus Pai, olha o que diz “Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. Nisto consiste o amor não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou primeiro” (…).  (Cf. CIC n° 733) afirma “Deus é amor”. (Cf. I Jo 4, 8. 16), o amor é o primeiro dom. Ele contém todos os demais. Este amor, Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Cf. Rm 5,5) (…) Deus é amor, por isso é justo e fiel. Não se pode contradizê-lo, mas sim deve lembrar-se de suas ações maravilhosas. Sua glória não está em jogo, pois não abandonar o povo que traz o seu nome.

1.2 A Resposta ao Amor de Deus: Ter Compaixão dos que Sofrem Injustiças

Compaixão dos que Sofrem Injustiças A Doutrina Social da Igreja, as Encíclicas Papais, as Sagradas Escrituras não deixam dúvidas, Uma vez que se experimenta o amor de Deus, o homem quer dar uma reposta, quer levar outros a essa experiência, quer ser evangelizador e viver a caridade com aqueles que sofrem injustiças de diversas maneiras. Não basta ser apenas piedoso. É preciso responder com indignação, denunciando, participando, não perdendo de vista o grande mandamento amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo com si mesmo.. A sagrada Escritura desde o velho testamento denuncia as injustiças, as angustias e sofrimento do povo de Deus. O profeta Miqueias contemporâneo do profeta Isaías que por volta do ano 700 a. C. faz denuncias contra proprietários de terras do seu tempo, lideres políticos e religiosos. (Cf. Mq. 3 1 – 4) “ouvi bem, os chefes de Jacó, dirigentes da casa de Israel: por acaso não

 

 

é vossa obrigação saber o que é de direito? Mas são pessoas inimigas do bem e apaixonadas pelo mal. Arrancai o couro dos outros e até a carne que está por cima dos ossos. Sois aqueles que devoram a carne do meu povo e lhe tiram o couro como se fosse uma roupa. Partis seus ossos, quebrando-os como se fosse para cozinhar, carne picada que vai para panela. Depois, ainda clamais ao Senhor, mas ele não há de lhes dar resposta. Ele, naquela hora, se esconderá dessa gente por todo o mal que praticaram” O profeta Habacuc questiona a sociedade da época pergunta ele, “será que o ímpio vai ser castigado? Será que os corruptos, ladrões do povo, restituirão o que roubaram e enfim serão punidos”? São os questionamentos do profeta que viveu por volta de 612 a. C.. Para o profeta tudo vai mudar e o justo enfim viverá por sua fidelidade. No capitulo dois do seu livro ele fala dos cinco “ais” denuncia a ganância, a acumulação de bens, segundo o profeta os injustos nunca se dão por satisfeitos para conseguir seus intentos. Para o presente tema a reflexão contemplarão os dois primeiros “ais”. (Cf. Hab. 2, 6) “Ai daqueles que se enriquece com o que é dos outros, acumulando para si coisas penhoradas. Até quando? (……) os outros versículos do primeiro “ai” faz uma crítica as nações que estão oprimindo o seu povo com todo o tipo de violência, saques e homicídios. “Segundo “ai” (Cf. Hab 2, 9-11)” Ai de quem ajunta dinheiro mal ganho, desgraça para sua casa, para colocar o dinheiro lá no alto, tentando escapar da miséria. O que conseguiste foi vergonha para tua casa, ao dar cabo de tanta gente. Teu pecado virou contra ti. Pois a pedra da parede vai gritar e a madeira das vigas vai responder. O profeta Amós também vai denunciar as injustiças sociais do seu tempo ele que era Agricultor e Pastor e viveu por volta de 782 a 722 a. C. na “Samaria” sua principal preocupação é com os fracos e pequenos que eram polidos dos direitos. Com os ricos que eram indiferentes aos pobres. O profeta é duro no seu discurso ele chama as mulheres ricas de Basã, de vacas. (Cf. Am. 4, 1-3) Escutai esta palavra, vacas de Basã do planalto de, vós que explorais os fracos e esmagais os carentes, que só sabeis dizer aos maridos: “traze, vamos beber!” O Senhor Deus jurou pela sua própria santidade: “Um dia há de vir para vós, quando sereis tocadas com ferrões, vossos traseiros com arpões de pescador”“. “Uma atrás da outra, tereis de passar pela brecha e sereis atiradas para os lados de Hermon” – oráculo do Senhor! 12 organização Mario Felício dos Santos (Cf. Am 6, 4-6) Ai dos que deitam em cama de Marfim ou se esparramam em cima dos sofás, comendo cordeiro do rebanho, vitelos cevados em estábulos. Deliram ao som da Harpa. (…) bebem canecões de vinho e usam os mais caros perfumes, indiferentes ao sofrimento de José. Os profetas são claros contra as injustiças do seu tempo. Não dá para experimentar o amor de Deus sem uma ação concreta na sociedade, quer como cidadãos, ou participando da vida política, visto que isso seria uma incoerência da parte do povo de Deus principalmente dos cristãos atuais.

 

  1. Amor Preferencial aos Pobres

(Cf. CIC n° 2443) Deus abençoa aqueles que ajudam os pobres e reprova aqueles que se afastam deles: “Dá ao que te pede e não voltes às costas ao que te pede emprestado” (Cf. Mt 5,42). “De graça recebeste e de graça dai” (Cf. Mt. 10,8) Jesus Cristo reconhecerá seus eleitos pelo que tiveram feito pelos pobres. Temos o sinal da presença de Cristo quando “os pobres são evangelizados” (Cf. Mt 11,5) (Cf. CIC n° 2444) “O amor da Igreja pelos pobres…. faz parte da tradição constante.” Inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e em sua atenção aos pobres. O amor aos pobres é também um dos motivos do dever de trabalhar, “para se ter o que partilhar com quem tiver necessidade” Não se estende apenas à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa. O amor aos pobres é incompatível com o amor imoderado das riquezas ou o uso egoísta delas. “Pois bem, agora vós ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que estão para vos sobrevir. Vossa riqueza apodreceu e vossas vestes estão carcomidas pelas traças. Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e sua ferrugem, testemunhará contra vós e devorará vossas carnes. Entesourastes como que um fogo nos tempos do fim! Lembrai-vos de que o salário, do qual privastes os trabalhadores que ceifaram vossos campos, clama, e os gritos dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vivestes faustosamente na terra e vos regalastes; vós vos saciastes no dia da matança. Condenastes o justo e o puseste à morte: ele não vos resiste”. (Cf. Tg 5,1-6).  (Cf. CIC n° 2446) São João Crisóstomo lembra essa verdade em termos vigorosos: “Não deixar os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida”. Nós não detemos nossos bens, mas os deles. É preciso satisfazer acima de tudo as exigências da justiça, para que não ofereçamos como dom da caridade aquilo que já é devido por justiça. Quando damos aos pobres as coisas indispensáveis, não praticamos com eles grande generosidade pessoal, mas lhe devolvemos o que é deles. Cumprimos um dever de justiça e não tanto um ato de caridade. O Catecismo é claro quanto: defender os pobres, amar os pobres, suprir suas necessidades básicas, como saúde, segurança pública, porém não se pode perder de vista as mudanças de estruturas da sociedade e certamente isso passa necessariamente por transformações sociais e políticas para que os objetivos sejam alcançados com mais êxito

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